BLM: ONDE A PEDRA NATURAL ENCONTRA O BIM

BLM: ONDE A PEDRA NATURAL ENCONTRA O BIM

Escolher uma pedra, definir dimensões e acabamentos, perceber como ficará num projeto, consultar informação técnica, pedir uma cotação e falar diretamente com o fornecedor. Tudo a partir de um único ambiente digital. É esta a ideia por detrás da BLM – BIM Library Marketplace, uma das soluções desenvolvidas pela Agenda Sustainable Stone by Portugal.

Digitalizar um material único

A plataforma nasceu de um desafio muito concreto: a pedra natural é um material único, mas essa singularidade também torna a sua digitalização mais complexa. Cada pedra tem características próprias, existem múltiplos acabamentos e dimensões e uma parte significativa da produção é realizada à medida de cada projeto.

Transformar toda esta diversidade em informação digital que possa ser utilizada por arquitetos, engenheiros, construtores e clientes foi o ponto de partida.

Coordenado pela STREAMVALUE e desenvolvido em colaboração com o CEI, o Instituto Politécnico de Leiria, a JULIPEDRA, a MARFILPE, a SOLANCIS e a Universidade de Évora, o projeto juntou competências tecnológicas, científicas e industriais para criar uma plataforma pensada a partir das necessidades reais do mercado.

Muito mais do que uma biblioteca digital

Na BLM, os produtos de pedra natural podem ser transformados em objetos digitais BIM, incorporando informação sobre materiais, dimensões, acabamentos e outras características relevantes para o projeto. O utilizador pode visualizar os modelos em 3D, experimentar diferentes acabamentos e dimensões e avançar para processos de cotação, negociação, compra e gestão da encomenda dentro do próprio ambiente digital.

Na prática, pretende-se criar uma ponte digital entre quem produz a pedra e quem a especifica ou compra. Para uma empresa portuguesa, isto significa poder apresentar os seus materiais através de catálogos digitais paramétricos e chegar mais facilmente a arquitetos, engenheiros, construtores e promotores, incluindo em mercados internacionais. Para quem está a desenvolver um projeto, significa ter acesso a informação técnica e comercial organizada e poder integrar os produtos nos fluxos BIM utilizados na construção.

Do ecrã para o espaço real

A experiência torna-se ainda mais interessante com a realidade aumentada. O projeto iniciou o desenvolvimento de uma funcionalidade que permite levar os objetos BIM do ecrã para o espaço real: um modelo digital pode ser convertido para formatos compatíveis com realidade aumentada e visualizado no contexto onde poderá vir a ser aplicado.

Imagine, por exemplo, poder visualizar um determinado elemento em pedra no espaço de um edifício antes de este ser produzido, testar alternativas e tomar decisões antes de avançar para o fabrico. É também aqui que digitalização e sustentabilidade se encontram: quanto melhor for a definição de um produto antes de entrar em produção, maior é a possibilidade de otimizar a utilização da matéria-prima, reduzir erros e desperdícios e tornar mais eficiente a ligação entre projeto e fabrico.

Uma plataforma pensada para o mercado

A BLM foi concebida com uma lógica de mercado. O modelo previsto funciona como Software as a Service (SaaS): as empresas transformadoras poderão aderir à plataforma e disponibilizar os seus produtos num ecossistema digital, enquanto arquitetos, engenheiros, construtores e outros utilizadores finais terão acesso à solução. Europa, Médio Oriente e América do Norte estão entre os mercados identificados, particularmente nos segmentos premium da construção.

A plataforma encontra-se atualmente numa fase de piloto funcional, com validação junto de stakeholders, e o passo seguinte será precisamente aproximá-la do mercado. A estratégia prevê consolidar a solução, avançar para a comercialização e internacionalização e, posteriormente, alargar o conceito a outros materiais e áreas, incluindo mobiliário à medida e produtos em stock.

Levar a pedra aos ambientes onde os projetos começam

A pedra natural portuguesa já chega a projetos em todo o mundo. O próximo desafio é fazer com que chegue também, de forma simples e estruturada, aos ambientes digitais onde esses projetos começam. Porque o futuro da pedra natural não passa apenas por transformar a matéria-prima. Passa também por transformar a forma como a mostramos, especificamos e levamos ao mercado.

FICHA TÉCNICA

PPS: PPS5 – New Processes for Stone Industry Digitalization

Atividade: A3.2 – BIM Market Place

Coordenação: STREAMVALUE

Parceiros: CEI · Instituto Politécnico de Leiria · JULIPEDRA · MARFILPE · SOLANCIS · Universidade de Évora

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